O MERCADO DO GOZO

APRESENTAÇÃO

O Mercado do Gozo, novo espetáculo da Companhia do Latão, é resultado de um projeto teatral contemplado com o Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo. O espetáculo estreou no início de agosto de 2003 no Teatro Cacilda Becker em São Paulo, realizando temporada de grande sucesso até o dia 16 de novembro.

Utilizando-se de uma disposição espacial diferenciada, que põe os espectadores no palco junto aos atores, o espetáculo mostra o encontro de um filho da burguesia industrial de São Paulo, no começo do Século XX, com o submundo da prostituição.
.O início da hegemonia estética das mercadorias aparece num espetáculo em que a forma da narrativa é também uma personagem desconfiável.

O desafio do grupo foi representar uma violência simbólica despersonalizada, num mundo de representações estetizadas e erotizadas correspondentes ao padrão da estética das mercadorias.

Parte do jogo do espetáculo é levar o espectador a desconfiar da narrativa do palco sempre que ela utiliza os recursos encantatórios da indústria cultural.

ASPECTOS DA ENCENAÇÃO
A narrativa cênica de O Mercado do Gozo desenvolve uma espécie de paródia das técnicas cinematográficas de manipulação da imagem. Para tanto, o espaço teatral é utilizado de modo não convencional, como elemento organizador da escrita cênica.

A encenação acontece no interior da caixa do palco e nos jardins do teatro. Por ser a construção do espaço imaginário o assunto que predomina na peça, o espaço cênico assume caráter metafórico, e o teatro é utilizado em sua realidade arquitetônica de teatro.

O Mercado do Gozo é o primeiro espetáculo da Companhia do Latão que utiliza um piano em cena. Tanto o iluminador, que opera a mesa de luz à vista do público, como o pianista, que toca seu instrumento durante toda a representação, atuam como personagens participantes da cena.

PESQUISA TEÓRICA

O Mercado do Gozo resulta de um longo processo de estudos. Para a montagem foram organizados seminários públicos sobre Mídia e Poder, com a presença de palestrantes como Eugênio Bucci, Mino Carta, Raimundo Pereira, Nélson de Sá, Marcelo Coelho, Fernando Haddad. E também foram realizados encontros de trabalho fechados com intelectuais como Iná Camargo Costa, Maria Rita Kehl, Margareth Rago, Roberto Schwarz.
Em paralelo à montagem, o grupo desenvolveu oficinas pedagógicas em várias áreas de trabalho: Música, Direção, Atuação, Teoria Crítica.


SINOPSE DA PEÇA

Um jovem burguês, chamado a assumir a fábrica de tecidos herdada do pai morto às vésperas de uma greve, rejeita sua condição de classe e procura no submundo dos estupefacientes e da prostituição meios de reencontrar o gosto pela vida. Em sua procura por uma ação se depara com um mundo de teatralização do desejo.

ESPETÁCULO COMEMORA SETE ANOS DE TRABALHO DO GRUPO

O Mercado do Gozo é o sétimo espetáculo da Companhia do Latão e dá seqüência a uma produção de dramaturgia própria, realizada a partir do trabalho dos atores em sala de ensaios. A montagem comemora também sete anos de trabalhos contínuos. O grupo formou-se em 1997 com o projeto Pesquisa em Teatro Dialético, que ocupou o Teatro de Arena Eugênio Kusnet. De lá para cá, a Companhia encenou textos importantes de dois autores alemães, Georg Büchner (Ensaio para Danton) e Bertolt Brecht (Santa Joana dos Matadouros), e quatro montagens com textos próprios, que serão reunidos em livro no próximo ano: O Nome do Sujeito, A Comédia do Trabalho, Auto dos Bons Tratos e O Mercado do Gozo.



O MERCADO DO GOZO: FICHA TÉCNICA

Dramaturgia coletiva da Companhia do Latão, com texto final de Márcio Marciano e Sérgio de Carvalho.

Beto Matos: Castor, Papoula, Operário, Inspetor, coro
Emerson Rossini: Burgo, coro
Helena Albergaria: Rosa Bebé, coro
Izabel Lima: Cafifa, coro
Ney Piacentini: Bubu, coro
Victória Camargo: Getúlia, coro
(Fernando Paz atuou também como Castor, Papoula, Operário, Inspetor e coro)
Pianista convidado e participação como Jurgen: Martin Eikmeier.
Iluminação: Paulo Heise.
Cenografia: Antonio Marciano e Márcio Marciano.
Figurinos: Márcio Medina
Direção musical: Luís Felipe Gama e Walter Garcia.
Preparação corporal: Vivien Buckup
Equipe criação musical: Alessandra Fernandes, Juliana Amaral e Martin Eikmeier.
Videodocumentação: Diogo Noventa e Paulo Heise.
Coordenação de Produção: Ney Piacentini
Produção executiva: Douglas Estevam.
Assistência de Dramaturgia: Rafael Carvalho.
Assistência de Direção: Renata Deuse.
Direção: Sérgio de Carvalho e Márcio Márciano.

É um jogo de desilusão muito bem feito (...) cheio de pequenas armadilhas para deixar inquietos senão todos, pelo menos aqueles espectadores normalmente empolgados com as representações heróicas da vitimização. (...) Não há nada tão eficiente quanto o bom teatro para puxar o tapete das nossas certezas.
(Mariângela Alves de Lima, O Estado de S. Paulo, 19 de setembro de 2003.)

Ao estabelecer a mulher e as suas relações com a sociedade mercantil desenvolvida nos trópicos como o centro de gravidade da dramaturgia, O Mercado do Gozo (...) exige da ação uma reordenação formal capaz de contemplar os dilemas e contradições provocadas pela modernização brasileira. (...) E isso é mais um ganho da excelente montagem da Companhia do Latão a respeito das particularidades de nossa condição.
(João Carlos Guedes Fonseca, O Sarrafo, agosto de 2003.)

No melhor estilo brechtiano, os personagens são caracterizados de maneira a repelir a adesão da platéia aos seus pontos de vista e às suas posições. Longe de opor oprimidos contra opressores, heróis contra vilões, O Mercado do Gozo apresenta seus personagens como homens, como portadores tanto de misérias quanto de virtudes, submetidos indiscriminadamente a uma sociabilidade mercantil que os faz de reféns (...).
(Adriano Blattner e Mariana Flesch, do site Luta Socialista, outubro de 2003)

 

 

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