LORCA, DALI, BUÑUEL

Escrito a convite de Antonio Abujamra para figurar entre as diversas cenas que compuseram o espetáculo comemorativo do centenário de nascimento de Federico García Lorca, realizado pelo SESI de São Paulo em 1998, este experimento se baseia em fragmentos das memórias de Luís Buñuel e Salvador Dalí, dois de seus mais próximos e ácidos amigos e interlocutores artísticos, assim como em excertos de sua obra poética e dramática, além de variações musicais de suas canções de cunho popular. A cena reinventa em chave irônica a ocasião em que Lorca apresenta a seus companheiros fragmentos de sua peça Amor de don Perlimplín con Belisa en su jardín, de 1930.
Permeando comentários ora sardônicos ora marcados por profundo afeto e respeito intelectual pela obra de Lorca, retirados textualmente das páginas que Buñuel e Dalí dedicam ao poeta e amigo, o experimento refaz de modo epigramático a trajetória intelectual e política deste que é considerado um dos mais influentes poetas modernos. Embora não diretamente ligado aos temas que orientam o projeto de formação dramatúrgica da Companhia, este experimento cumpre função mapeadora dos procedimentos épicos desde então utilizados pelo grupo para a criação de uma dramaturgia comprometida com a exposição e análise crítica das diversas formas de opressão em chave ao mesmo tempo poética e bem humorada.

Deborah Lobo: Dali
Georgette Fadel: Buñuel
Maria Tendlau: Lorca
Partipação como músicos (e duendes) de Lincoln Antonio, Sandra Ximenez e Alessandra Fernandes

Texto baseado na biografia Meu Último Suspiro de Luís Buñuel anotada por Jean-Claude Carrière na peça e Don Pirlimplin com Belisa em seu Jardim de Lorca

Músicas do cancioneiro espanhol por Lincoln Antonio e Sandra Ximenez
Dramaturgia e direção: Sérgio de Carvalho, Márcio Marciano em colaboração com os atores

 


 








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