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| ENTREVISTAS E DEPOIMENTOS |
- Palestra de Sérgio
de Carvalho na Casa Brecht em Berlim.
Por Núcleo de Documentação
da Companhia do Latão.
- 50 anos sem Brecht:
título
Entrevista com Sérgio de Carvalho.
Por Ana Cristina Petta (Tininha).
- A
ARTE VOLTADA PARA AS MASSAS
Por Rosa Minine,
Jornal A Nova Democracia,Rio De janeiro,ano 2 nº15,
dezembro de 2003
- Grupo mostra a vida
como não deveria ser
Por Tatiana Azevedo e Raquel Freitas,Jornal
Brasil de Fato, de 23 a 29
de outubro de 2003
- Revisitando Brecht
e Marx
Por Izaías Almada,
Revista Caros Amigos,
número 80, novembro de 2003.
- Companhia do Latão:
por um teatro anticapitalista
Por Cecília Toledo, do
Centro de Mídia Independente, 01 de
agosto de 2004.
- Os Princípios
de Brecht
Por Tiago Coutinho, Jornal
Diário do Nordeste,Caderno 3, 28 de março
de 2006
- Sérgio foi uma das
atrações do Curto Circuito de Idéias
Por
Rose Silveira, Jornal Diário do Pará,Caderno
D,17 de junho de 2004.
- Trabalhadores do teatro
Guia DAQUI Lapa,
nº 59, agosto de 2002
-
Chão sem estrelas
Por
Sérgio de Carvalho,
Jornal do Brasil, revista Domingo,
1º de agosto de 1999.
Sérgio de Carvalho entrevista João Pedro
Stédile.
-
Arte de potencial
político
Por José Corrêa Leite
e Fernando Kinas*, Revista
Teoria e Debate, nº47,
fev/mar/abr 2001.
- A transformação
pela experiência
Por Uta Atzpodien, feita originalmente
para a revista Theater der Welt 1999 in Berlin /
Theater der Zeit - Arbeitsbuch, Alemanha. Republicada nas
revistas Azougue, na revista Humboldt 80, e IKA número
59.
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Arte voltada para as massas.
Por Rosa Minine, Jornal
A Nova Democracia,Rio De janeiro,ano 2 nº15, dezembro
de 2003
Criada em 1996 por Sérgio de
Carvalho e Márcio Marciano, a Companhia do Latão,
uma das mais bem-sucedidas trupes teatrais nacionais,
difere das demais por preferir focar a sociedade aos
conflitos individuais. Inspirada pelo teatro épico
do dramaturgo Bertolt Brecht, ela trabalha, além
dos textos de Brecht e outros, com escrita teatral própria,
sempre buscando uma linguagem adequada aos problemas
atuais brasileiros. O processo de criação
do grupo é coletivo e trabalhado diretamente
por Sérgio, que cursou Administração
de Empresas, se formou em jornalismo e fez mestrado
em Artes Cênicas, e Márcio, formado em
Artes Cênicas na Escola de Comunicações
e Artes da USP.
Quando começaram, eram somente
um grupo de atores tentando realizar um espetáculo
desenvolvido através de estudos de teatro dialético
proposto por Brecht, com a intenção de
produzir dramaturgia nacional contemporânea, que
abordasse temas atuais de uma forma não dramática
e mais ampla sob um ponto de vista social. Enquanto
muitos grupos investiam nas emoções do
público, procurando envolver as pessoas nos dramas
dos protagonistas, o futuro Latão queria alguma
coisa a mais do que isso.
"O nome do grupo provém
do trabalho com um texto teórico de Bertolt Brecht
chamado A compra do latão. Nesse texto Brecht
usa a imagem de um comprador de ferro-velho que vai
ouvir uma orquestra de música e sai pensando
no preço do quilo da lata dos instrumentos. Existe
ali um debate sobre a função da arte,
em que a posição mais avançada
é a materialista. A dimensão teorizante,
a forma incompleta e fragmentária, bem como a
proposta de um teatro dialético, serviram de
base para a formação artística
do nosso grupo", conta Sérgio de Carvalho.
Agente do debate
Um dos temas constantes em seus espetáculos
é a política, centrada na luta de classes.
Procuram sempre realizar um teatro que tenha um elemento
humanizador na racionalidade humana e inteligível
para o espectador. Para a Companhia do Latão
um ator não é apenas um repetidor de falas
e sim um agente que ajuda a fazer do teatro um meio
de provocar a reflexão sobre os problemas políticos
do país. Ela mostra as contradições
do capitalismo, que condicionam os atos e as posturas
de cada indivíduo, atores, personagens e públicos.
Essas contradições são apresentadas,
tornadas evidentes, sem serem resolvidas, porque, na
verdade, essa resolução pede uma ação
social coletiva, e não somente ação
estética individual. "A Companhia do Latão
conseguiu superar o sentimentalismo socializante graças
ao marxismo. Sem um diálogo com o materialismo
dialético e sua tradição crítica
seria impossível representar as contradições
do capitalismo brasileiro. Foi importante para nós
perceber que preocupação social não
significa tratamento crítico. Não basta
mostrar a exploração com idealismo, como
se bastasse citar o problema para gerar reflexão
mais ampla. As imagens da desigualdade podem ser conservadoras
se a forma da apresentação não
for questionada. É por isso que parte do bom
cinema brasileiro de hoje ainda está na fase
da compaixão pelos pobres ou da descrição
moralista da barbárie. São poucas as obras
em que existe uma vontade de ativar os conflitos e torná-los
mais claros", explica Sérgio de Carvalho.
continua....
Leia
na integra.
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Grupo mostra
a vida como não deveria ser
Por Tatiana Azevedo e Raquel
Freitas,Jornal Brasil de Fato, de 23 a 29 de outubro
de 2003
A futilidade ainda predomina no teatro
comercial. A opinião é de Sérgio
de Carvalho, que divide com Márcio Marciano a
direção da Companhia do Latão,
grupo com base no teatro dialético proposto por
Bertold Brecht. O grupo, fundado em 1996, propõe-se
a formar uma dramaturgia brasileira focada no social.
Brasil de Fato
- Como é fazer teatro político hoje em
dia?
Sérgio
de Carvalho - Melhor do que há dez anos,
porque a arte brasileira volta a a pensar em politização.
Mas preocupação social não significa
tratamento crítico. Nem toda imagem da desigualdade
gera um movimento de mudança, em quem vê
ou em quem faz. A Companhia do Latão conseguiu
superar o "sentimento socializante" graças
ao marxismo. Sem um diálogo com o materialismo
dialético e sua tradição crítica
seria impossível representar as contradições
do capitalismo brasileiro.
BF - Como
o público reage a uma proposta política
no teatro?
Carvalho
- Em uma sociedade dividida em classes, não se
pode querer um teatro que unifique os sentimentos da
platéia. Isso seria criar uma unidade falsa.
Como nossa matéria artística é
a contradição, não fazemos o teatro
realista da vida como ela é. Importa mais mostrar
a vida como ela não devia ser. Mas é sempre
uma alegria encontrar platéias que tendem a uma
posição antiburguesa. Há poucos
dias um um grupo de 40 operárias da indústria
química foi ver O mercado do gozo. No debate
ficou claro que elas tiveram uma compreensão
sofisticada da forma da peça porque entendem,
na prática, que a exploração do
trabalho não é ficção.
BF - De
que forma outros grupos teatrais que atuam no campo
social trabalham esse tema?
Carvalho
- Hoje em dia até o teatro comercial posa de
crítico do sistema. Espectadores pagam 70 reais
o ingresso para lamentar a corrupção do
poderosos, em chave de comédia de costumes. Isso
ameniza a culpa de uma elite que acredita ser autocrítica.
A notícia boa é que existem vários
grupos novos tentando uma reflexão social mais
ampla. Mesmo que a maioria ainda esteja na fase da compaixão
pelos pobres, ou da condenação superficial
da violência, existe uma vontade de ativar os
conflitos e torná-los mais claros.
BF - E
como a grande imprensa lida com um trabalho como o de
vocês?
Carvalho
- A Companhia do Latão tem um espaço excelente
para um grupo que cita Marx e Engels. Mas há
um paradoxo: os grandes jornais dão espaço
mas fazem com que certa parte de seus empregados - a
mais conservadora - venha a nos desqualificar de modo
irracional. No fundo, é um pânico diante
de uma posição que se assume de esquerda.
O comentário mais comum se resume à fórmula
esvaziadora: apesar de politizados, são bonzinhos
como artistas. Fingem não ver que só praticamos
essa forma artística por causa do tipo de reflexão
social.
BF - O
teatro pode provocar ação efetiva, ou
apenas reflexão?
Carvalho -
É óbvio que o teatro não tem o
alcance quantitativo da indústria cultural. No
entanto, a qualidade da relação teatral
é muito intensa. Enquanto a televisão
faz da realidade uma ficção, no teatro,
a relação viva entre os atores sempre
ameaça a credibilidade das imagens mistificadoras.
A possibilidade de provocar reflexões é
grande. E, como escreveu Marx, a teoria também
pode se converter em a ação material.
Em vários momentos históricos de intensa
agitação política, o teatro teve
participação fundamental. Um lacaio da
revista Veja, templo da mediocridade nacional, praguejou
antes das eleições contra a vitória
do PT, com medo que ela enchesse as ruas de teatro.
Se isso vier um dia a acontecer, terá que ser
como conflito, não como festa: é essa
a vocação do teatro - a contradição.
Só por isso tem algo a produzir contra o "suave
terror totalitário" da indústria
cultural. É uma tarefa coletivizante, de construir
um sentido comum: para quem está no palco, o
teatro impõe o trabalho de equipe. Para quem
vê, impõe a experiência do convívio
público. Seu potencial de desalienação
só se realiza coletivamente.
Sérgio
de Carvalho é co-diretor da Companhia do Latão
e professor da Unicamp. Como jornalista, edita a revista
Vintém e O Sarrafo, periódico criado por
diversos grupos teatrais que discute arte e política.
Participou da origem do Arte contra a Barbárie,
movimento que colaborou para implantação
da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São
Paulo.
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Revisitando Brecht
e Marx
Por Izaías Almada,
revista Caros Amigos,
número 80, novembro de 2003.
O diretor da Companhia do Latão,
Sérgio de carvalho, explica aqui por que o grupo
ainda acredita num teatro marxista
Criado por iniciativa do dramaturgo
e diretor Sérgio de Carvalho, a Companhia do
Latão utiliza como suporte o teatro épico
de Brecht e teorias marxistas. Está apresentando
em São Paulo a peça O Mercado do Gozo.
Depois de conversarmos com os grupos Folias d´Arte,
Tapa, União e Olho Vivo e Engenho Teatral, agora
é a vez da Companhia do Latão, nas palavras
de Sérgio de Carvalho.
Grupo do
Latão: quem fundou e quando?
Em 1997 convidei um grupo de pessoas para montar um
espetáculo chamado Ensaio para Danton, a partir
de um texto de Georg Büchner (A Morte de Danton).
O Latão tem origem na montagem desse espetáculo,
que nos levantou inúmeras questões de
ordem estética, política e crítica.
Surgiu ali a necessidade de o grupo estudar a obra de
Brecht como modelo de compreensão do que significa
fazer um teatro narrativo. Percebemos, durante os ensaios,
que mais importante do que o produto era o processo
de trabalho que despontava... É preciso destacar
aqui meu encontro com o Márcio Marciano. Na ocasião,
tive um projeto, no qual o Márcio veio trabalhar
como dramaturgo, vencedor do edital de ocupação
do Teatro de Arena de São Paulo, o Eugênio
Kusnet, que nos foi cedido por um ano pela Funarte.
Que projeto
era esse e por que o nome?
Um projeto de pesquisa sobre o teatro épico e
que propunha o estudo da obra de Bertolt Brecht como
modelo para a representação brasileira.
É isso, de certo modo, o que define até
hoje o trabalho da Companhia do Latão, que usa
a tradição épico-dialética
de teatro para pensar várias questões
da sociedade brasileira no atual estágio do capitalismo...
O nome da companhia surgiu por trabalharmos com dois
textos naquele momento: um, dramatúrgico, "Santa
Joana dos matadouros", e outro teórico,
chamado " A Compra do Latão", ambos
de Brecht. "A Compra do Latão" é
um texto incompleto de Brecht, em que ele reúne
diálogos, fragmentos teóricos, poemas,
exercícios teatrais, planejados como suma do
seu pensamento, de certa maneira comparado ao "Pequeno
Organon para o Teatro". Chegamos a pensar em fazer
desses textos um espetáculo, que se chamaria
Ensaio do Latão... Com o uso cotidiano desses
títulos, acabamos naturalmente por nos chamarmos
de a Companhia do Latão.. um nome que na obra
de Brecht sugere o interesse pelo lado material das
coisas. Ele usa uma metáfora em que imagina um
filósofo que chega a um grupo de atores e se
compara a um comerciante de latas, de ferro velho. Esse
comerciante de latão, bronze, de metais, vai
assistir ao concerto de uma orquestra e fica pensando
quanto custaria o quilo de metal daqueles instrumentos,
sem se sensibilizar com a música que eles criavam.
Trata-se de uma metáfora criada a partir de Marx,
sendo que Marx está mais interessado na música
e não em saber quanto custa o quilo dos metais.
continua....
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na integra.
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Companhia do Latão: por um teatro
anticapitalista
Por Cecília Toledo, do
Centro de Mídia Independente, 01 de agosto de
2004.
Sérgio Carvalho é
diretor da Companhia do Latão, um dos grupos
mais importantes do país na atualidade. Trabalha
com o teatro numa perspectiva crítica anticapitalista,
procurando romper com a mercantilização
da cultura, que faz com que o espectador
A Companhia tem feito um trabalho
inovador, procurando romper a divisão entre trabalho
intelectual e material no teatro. Como se dá
isso?
O primeiro desafio de um grupo
teatral interessado numa reflexão anticapitalista
é revolucionar a própria prática
de trabalho. O discurso crítico é insuficiente
se não se converter em novas formas de produzir,
numa atitude coletivizante que precisa se tornar visível
e partilhável pelo público. Nesses sete
anos, a Companhia do Latão sempre encenou peças-processo.
Algumas nós chamamos mesmo de "ensaios":
incompletas e reflexivas, porque feitas para desencadear
uma atividade dos sentidos, uma percepção
histórica. É como se ao público
fosse negada a perspectiva convencional do produto artístico
pronto, que gera prazeres previsíveis. É
como se estivéssemos dizendo que os processos
são mais importantes que os produtos, que o valor
de uso está acima do de troca. Isso só
se torna uma atitude, com força artística,
quando na sala de ensaio todos participam do conjunto
da obra.
Esse método se adapta apenas a grupos que
já conhecem as técnicas teatrais ou serve
também para aqueles que nunca fizeram teatro
antes?
Qualquer grupo teatral pode trabalhar
em bases igualitárias. Só que isso implica
uma dura e difícil negação dos
padrões estéticos e dos hábitos
dominantes. É preciso ir contra as expectativas
de acerto burguês, descobrir imposições
muitas vezes internalizadas e inconscientes, desmontar
o personalismo da atuação, os idealismos
autoritários da direção, o mito
de que o diálogo com o público depende
do agrado fácil. A mudança às vezes
exige radicalização em sentido contrário,
para deflagrar a contradição: pôr
as ações à frente das palavras
do texto, o improviso e a invenção livre
acima do plano fechado, até que se encontre um
método pelo qual todos caminhem juntos e reconheçam
o motivo de cada escolha.
O que são as Oficinas de Teatro Dialético?
Estamos preparando para o segundo
semestre algumas oficinas destinadas a integrantes de
movimentos sociais. A idéia é formar "brigadas
teatrais", compostas por pessoas que possam contribuir
para a formação de grupos novos interessados
em teatro crítico.
O que a Companhia do Latão está encenando
agora?
Estamos estudando a obra
de Machado de Assis, alguns de seus contos, para um
novo espetáculo.
O tema ainda está em aberto, talvez uma sátira
aos produtores reacionários de "cultura"
em nosso país. Assim como fizemos em A Comédia
do Trabalho, será uma montagem de curto-circuito
entre a farsa e a tragédia, de modo que a história
não esteja dada, mas fique à espera de
construção. Ainda não consigo falar
nada de mais concreto.
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Os
Princípios de Brecht
Por Tiago Coutinho, Jornal
Diário do Nordeste,Caderno 3, 28 de março
de 2006
(Também publicada em Portal verdes mares, http://verdesmares.globo.com/entrevista/comversa_entrevista.asp?CodigoEntrevista=230)
Atualizado com os problemas das transformações
do capitalismo e preocupado com a superação
e transformação desse sistema, Sérgio
de Carvalho acredita que a arte pode demarcar o espaço
das lutas de classe. Por isso, ele aposta no método
brechtiano de produzir teatro, desde que siga um viés
histórico e transformador. Na seqüência
do Simpósio Internacional "Atualidade de
Brecht na Alemanha e no Brasil: um panorama crítico",
o diretor e ator da Companhia Latão participa
de duas mesas na programação
A primeira mesa será hoje, às 17h, com
o título "Uma experiência com o Brecht
no Brasil: o teatro dialético da Companhia Latão".
A segunda acontece amanhã, às 14h30, na
qual, ao lado des Fran Teixeira e Oswald Barroso, indaga:
"Vale a pena falar de um Método-Brecht?".
Na entrevista, Sérgio fala da arte como uma ferramenta
de transformação social, cujo principal
papel seria o de desmistificar as imagens dominantes
da atual sociedade. Como não poderia deixar de
ser, ele compartilha um pouco de sua experiência
com a Companhia do Latão, grupo teatral que vem
se consolidando nacionalmente por utilizar os princípios
teatrais traçados por Brecht.
- Sua conferência tem como título
"Vale a pena falar de um Método-Brecht?".
Quais seriam as possibilidades desse método no
contexto do século XXI?
Eu acho que vale o a pena, se for possível,
ter clareza do que significa o método Brecht.
Ainda que não seja um resultado sistemático,
o Brecht formulou uma série de princípios
de trabalho, sobretudo ao que se refere ao desmonte
ideológico das imagens dominantes na nossa sociedade.
O teatro dele é uma espécie de desmistificação,
uma técnica de ativação do público
a partir da crítica às imagens dominantes
e das formas dominantes. Nesse sentido, o princípio
brechtiano continua atualíssimo. Isso em qualquer
teatro que esteja interessado em ler atrás das
imagens. É lógico que se trata de uma
crítica construída em um contexto histórico
muito preciso, que é o da luta de classes da
primeira quadra do século XX. Ele se atualiza
no sentido de dar conta das transformações
do capitalismo atual. Mas isso, de certo modo, era uma
exigência que o próprio Brecht impôs.
Com o Brecht, você não trabalha sem inventar
alguma coisa.
continua....
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Sérgio foi uma das atrações
do Curto Circuito de Idéias
Por Rose Silveira, Jornal
Diário do Pará,Caderno D,17 de junho de
2004.
O dramaturgo Sérgio de Carvalho, diretor da Companhia
do Latão (SP), uma das mais importantes do País,
esteve em Belém, ministrando a oficina 'Dramaturgia
Épica' para escritores e dramaturgos, e participando
do projeto Curto Circuito de Idéias. Ele fala
do modelo de dramaturgia de Brecht e dos novos trabalhos
da Companhia do Latão
O que o modelo de dramaturgia de Brecht
tem a oferecer como reflexão à contemporaneidade
e, claro, à dramaturgia de hoje?
Em primeiro lugar, a possibilidade de continuar a pensar
na função da arte. E que essa função
pode ser, inclusive, colaborar com a ativação
revolucionária num tempo em que isso não
está no horizonte próximo e em que o capitalismo
assume caras novas e terríveis. Brecht continua
sendo um grande modelo para arte que tenta se opor ao
imaginário dominante e que procura combater o
totalitarismo da forma-mercadoria.
O que significou o advento do teatro
épico de Brecht para a dramaturgia do século
20?
Brecht desenvolveu seu conceito de teatro épico
no final da década de 1920 a partir de um movimento
histórico iniciado décadas antes, o Naturalismo.
O escritor Émile Zola já exigia da arte
do teatro a mesma complexidade do romance, a liberdade
de ir e vir no tempo, de transitar entre o particular
e o geral. A chamada 'fatia de vida' já lançava
suspeita sobre os heróis positivos. O que Brecht
fez foi propor uma negação mais radical
da forma dramática, opondo-se à sua ideologia
individualista: para ele, o palco não deveria
só mostrar a vida no mundo capitalista, mas narrá-la
como transformável. Isto só é possível
se a cena assume que toda representação
contém um ponto de vista sobre a realidade. Só
é possível se houver uma desmontagem da
heroificação e do moralismo, das ideologias
impostas a quem não tem condições
práticas de exercê-las, de tudo aquilo
que se identifica com a visão de mundo das classes
dominantes.
continua....
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Trabalhadores do teatro
Guia DAQUI Lapa, nº 59,
agosto de 2002
A história e a sociedade brasileira, com todas
as suas mazelas e belezas, são temas dos espetáculos
da Companhia do Latão, grupo de pesquisa teatral
que participa do projeto de ocupação dos
teatros distritais de São Paulo. Este projeto
objetiva a apresentação de espetáculos
e realização de oficinas, aproximando
cada vez mais a comunidade do meio artístico.
Desde o início, o grupo trabalha com princípios
do teatro épico e dialético aplicado à
construção de uma dramaturgia própria
produzida junto a cena teatral. Uma característica
marcante é a "dramaturgia em processo",
ou seja, o texto do espetáculo é gerado
na sala de ensaios a partir de propostas dos atores.
Isso faz com que as peças não sejam vistas
como um produto acabado, mas como uma matéria
formativa, em constante transformação.
A Companhia do Latão está apresentando
"O Auto dos Bons Tratos", no teatro Cacilda
Becker, na Lapa, até setembro e, nesta entrevista,
o diretor e dramaturgo, Márcio Marciano, conta
a trajetória da Companhia.
Há quanto tempo existe a Companhia
do Latão?
Há seis anos e ela surgiu de uma iniciativa
do diretor Sérgio de Carvalho, que reuniu um
grupo de artistas para fazer um espetáculo chamado
"Ensaio para Danton", criado a partir de um
estudo do autor alemão, Georg Büchner. A
peça é "A Morte de Danton".
Por coincidência, esse espetáculo estreou
no teatro Cacilda Becker. Eram só oito atores
em cena e o tema da peça é o fracasso
da representação política. Se passa
durante a Revolução Francesa, no momento
em que se instaura o terror e existe um combate entre
Robespierre e Danton. Danton se afasta da luta política
nesse instante. A peça retrata exatamente esse
momento. A idéia foi fazer um paralelo entre
o fracasso da representação política
e o fracasso da representação teatral,
uma vez que eram poucos atores para representar um universo
gigantesco, que era o que Büchner propunha.
continua....
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Chão sem estrelas
Por Sérgio de Carvalho,
Jornal do Brasil, revista Domingo, 1º de agosto
de 1999.
Sérgio de Carvalho entrevista
João Pedro Stédile
Esta conversa aconteceu no dia em que a marcha do MST
rumo á Brasília saiu do Rio, começo
da noite, num restaurante ainda vazio, com os garçons
vendo televisão pelos cantos, perto do Campo
de São Cristóvão. João Pedro
Stédile chega com o rosto corado de quem vem
das ruas. Ele é o principal líder do MST.
Já nos conhecíamos porque ele assistiu
três vezes á peça Santa Joana dos
Matadouros, de Brecht, na montagem da Companhia do Latão.
Parece que o humor grosso de Brecht- na sátira
dos industriais de Chicago em suas negociatas na bolsa
de mercadorias - ainda tem algo a dizer a homens como
ele, que conhecem de perto os problemas do Brasil. A
gargalhada de Stédile nas apresentações
sempre aumenta nas passagens em que o comportamento
sinuoso dos reis da exploração é
desmascarado. Santa Joana dos Matadouros conta a história
de uma crise econômica no ramo da carne enlatada.
De um lado, os pobres industriais chorando a morte do
bezerro. De outro, os violentos desempregados, dispostos
á baderna porque não têm mais o
que comer. Entre as frentes em luta, julgando-se acima
do conflito, a menina Joana, voluntária religiosa
que tem a ingenuidade de querer conciliar interesses
contrários. A peça é um tratado
sobre o funcionamento da luta de classes, com paródia
de versos clássicos. Mais do que um espectador
ideal, Stédile é um modelo de atuação
para os integrantes da Cia. Do Latão. Sua seriedade
(e bom humor) nos dá a certeza de que a transformação
positiva da sociedade brasileira é uma meta possível.
E que depende do trabalho crítico de todos nós.
Sérgio de carvalho, 32 anos, diretor do grupo
teatral paulista Companhia do Latão.
Sérgio - Quem faz arte no Brasil está
fazendo uma oposição a um campo muito
forte e violento que é a indústria cultural.
Existe um bombardeio em prol de um ideal de mercantilização,
da ideologia de consumo, da coisificação
das pessoas, e isso atinge quem não tem filtro
em relação a essa realidade. Como fazer
oposição a essa hegemonia dos padrões
da indústria cultural?
Stédile - Quando se discute os problemas do Brasil
há uma tendência de se discutir só
os problemas econômicos e sociais. Nós
procuramos incorporar, em nossos debates do MST, esse
problema cultural. Seja do ponto de vista estrutural
- pois temos uma elite colonizada que só procura
reproduzir uma cultura que a metrópole envia
para cá- , seja o problema do oprimido, que é
tão oprimido que também copia a elite.
O mais grave é que nós temos uma cultura
dominada pelas elites, que têm o monopólio
dos meios de comunicação. Nós debatemos
principalmente como combater o monopólio dos
meios de comunicação, da TV, que tem uma
capacidade muito grande de massificar, idiotizar e de
vender falsos valores. Buscamos descobrir formas de
estimular a nossa base social a produzir, desenvolver
no grupo todas as formas de manifestação
cultural. Mas vocês devem ter mais dificuldades,
por fazerem arte e terem que disputar no mundo mercantilizado.
Como é que vocês enxergam isso?
Stédile - Quando se discute os problemas
do Brasil há uma tendência de se discutir
só os problemas econômicos e sociais. Nós
procuramos incorporar, em nossos debates do MST, esse
problema cultural. Seja do ponto de vista estrutural
- pois temos uma elite colonizada que só procura
reproduzir uma cultura que a metrópole envia
para cá- , seja o problema do oprimido, que é
tão oprimido que também copia a elite.
O mais grave é que nós temos uma cultura
dominada pelas elites, que têm o monopólio
dos meios de comunicação. Nós debatemos
principalmente como combater o monopólio dos
meios de comunicação, da TV, que tem uma
capacidade muito grande de massificar, idiotizar e de
vender falsos valores. Buscamos descobrir formas de
estimular a nossa base social a produzir, desenvolver
no grupo todas as formas de manifestação
cultural. Mas vocês devem ter mais dificuldades,
por fazerem arte e terem que disputar no mundo mercantilizado.
Como é que vocês enxergam isso?
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Arte de potencial político
Por José Corrêa
Leite e Fernando Kinas*, revista Teoria e Debate, nº47,
fev/mar/abr 2001
Sérgio de Carvalho é integrante da Companhia
do Latão, grupo que dirige e para o qual escreve,
em parceria com Márcio Marciano. A Companhia
tem tido um papel de destaque na renovação
do teatro político brasileiro, tendo encenado
vários espetáculos, entre os quais o Ensaio
sobre o Latão e Santa Joana dos Matadouros, de
Brecht, e O Nome do Sujeito, criação coletiva.
O mais recente é A comédia do trabalho,
também criação coletiva, encenada
com grande receptividade junto aos movimentos sociais.
Jornalista e professor do Departamento de Artes Cênicas
da Universidade de Campinas, Sergio de Carvalho desenvolve
uma reflexão inovadora sobre as artes cênicas
e sua relação com a politização,
na contramão do teatro comercial.
A atuação da Companhia do Latão
tem tido uma repercussão importante no cenário
cultural, em particular junto à esquerda brasileira.
A que você atribui esse impacto?
Se a Companhia do Latão alcançou alguma
importância, eu atribuo isso à trajetória
de politização que se expõe no
trabalho. Nossos espetáculos sempre revelam processos,
tanto os da história contada, como os da própria
montagem teatral. Então, em algum nível,
o caráter coletivo do trabalho passa a significar
também, ganha dimensão simbólica.
Acho que é por isso que temos servido de estímulo
para outros grupos de teatro, que começam a recuperar
uma vontade de discutir a sociedade brasileira. Isso,
que tinha sido a grande novidade teatral dos anos 60,
andou em descrédito programado nas décadas
seguintes, quando um gosto neo-esteticista, de temas
mítico-arcaizantes e com ares modernosos foi
internalizado pela vanguarda. As poucas experiências
teatrais ainda preocupadas com a vida social, quando
não eram descartadas como ultrapassadas, ficavam
isoladas nas periferias, ou se transmudaram em pedagogia
e assistência psicológica. Em qualquer
caso, distanciadas dos avanços estéticos.
É por isso que a nossa trajetória de politização
me parece a conquista mais importante do grupo. Ela
foi obtida na contramão dos valores de uma época
bem regressiva. O rigor estético nós já
tínhamos como coordenada, única herança
positiva dos anos 80. Nosso percurso foi oposto ao do
Teatro de Arena. O Gianfrancesco Guarnieri e o Oduvaldo
Viana Filho - Vianinha - eram filhos de integrantes
do Partido Comunista e a sua procura de formas artísticas
decorria de um interesse sociopolítico. Nós,
ao contrário, éramos um grupo de "pesquisa
de linguagem" que acabou se aproximando do pensamento
marxista a partir de necessidades formais. Foi a busca
de um realismo mais real - aquele que obriga a certos
teatralismos como o de "mostrar o teatro em sua
realidade de teatro" - que nos levou a Brecht e
ao marxismo.
Mas é inegável que a qualidade estética
é um fator fundamental...
Na verdade, é a complexidade artística
que impede que um trabalho como o nosso seja descartado.
Mesmo quem tem aversão a qualquer posicionamento
de esquerda terá dificuldades em nos negar um
espaço no mundo das produções "culturais"
dignas de nota. Mas como operação de trabalho,
como estímulo intelectual, eu acho que qualquer
artista que se politiza percebe que precisa haver uma
inversão na ordem dos fatores, porque ela altera
sim o produto. São os problemas de assunto que
passam a ser fundadores, e eles que conduzirão
aos problemas da linguagem. Está no Mário
de Andrade dos anos 30, em outros artistas que percorreram
uma trajetória de politização.
Nós só realizamos essa inversão
quando percebemos que a força atual de uma peça
como Santa Joana dos Matadouros, de Brecht - peça
que nos aproximou de um público estudantil, dos
intelectuais de esquerda e de movimentos populares -,
não está apenas no riquíssimo jogo
de linguagem, mas sobretudo, ainda, na tematização
da "luta de classes".
continua....
Leia
na integra.
*José Corrêa Leite é editor do jornal
Em Tempo e do Conselho de Redação de TD.
Fernando Kinas é diretor e pesquisador teatral,
responsável pela montagem em Curitiba de R, Um
Artista da Fome, Carta Aberta e Tudo o que você
sabe está errado, entre outras.
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A transformação
pela experiência
Por Uta Atzpodien, feita
originalmente para a revista Theater der Welt 1999 in
Berlin / Theater der Zeit - Arbeitsbuch, Alemanha. Republicada
nas revistas Azougue, na revista Humboldt 80, e IKA
número 59.
A Companhia do Latão tem tido
um impacto grande de crítica e nos círculos
acadêmicos de S. Paulo. Isso num tempo em que
o teatro não comercial sofre problemas de público.
Qual o objetivo da Companhia ? Faça um esboço
de sua história.
O grupo de atores que constitui a Companhia do Latão
começou a trabalhar em 1996 na montagem de A
Morte de Danton, de Georg Büchner. Inicialmente
tínhamos apenas a vontade de encenar aquele texto
que nos parecia admirável por dois aspectos :
sua forma aberta, fragmentada, descontínua, que
dava conta não apenas do retrato de um indivíduo
mas de movimentos do conjunto de uma época; e
seu sentimento de uma melancolia diante dos desacertos
do tempo. No começo do processo nós tínhamos
uma certeza : só seria possível conseguir
que os oito atores representassem os mais de 30 personagens
do texto de Buechner se nós partíssemos
do pressuposto de um "fracasso fundamental"
da representação. Quando não é
possível "representar" no palco, talvez
seja melhor revelar a provisoriedade e as contradições
dessa tentativa. Estávamos caminhando, sem maior
consciência disso, para uma forma épica
de representação. Resolvemos, então
chamar a esse espetáculo de Ensaio para Danton,
porque nele deveria aparecer sobretudo a explicitação
de um processo teatral. Evidentemente, isso não
era apenas um jogo de metalinguagem. Aos poucos fomos
percebendo as implicações críticas
disso. Ao refletir sobre o processo teatral, nós
estávamos, de certa forma, discutindo também
a questão das representações políticas.
E de seu "fracasso fundamental" quando fingem
atender à totalidade dos interesses da sociedade.
Mesmo antes de estrear o espetáculo, ficou claro
para nós que estudar Brecht seria o passo seguinte.
Precisávamos de um modelo mais complexo para
compreender as relações entre forma artística
e matéria social. Talvez isto explique em parte
a repercussão que a Companhia do Latão
vem obtendo hoje : é um grupo que mantém
um projeto formativo e reflexivo que não se desvincula
da montagem de espetáculos. Os espetáculos
se oferecem ao público como "estudos",
como tentativas de compreensão de temas e de
formas atuais. Cada cena contém um processo de
aprendizado que pode ser acompanhado pelo espectador.
continua....
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na integra.
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50 anos sem Brecht: título
Entrevista com Sérgio de Carvalho
Por Ana Cristina Petta (Tininha)
(Sérgio de Carvalho é diretor da Companhia
do Latão e professor de dramaturgia e crítica
teatral na Universidade de São Paulo)
Princípios -O que te levou a se
aproximar do pensamento de Bertolt Brecht? Como surgiu
a Companhia do Latão e a Pesquisa em Teatro Dialético,
desenvolvida pelo grupo?
Sérgio de Carvalho - A Cia. do
Latão começou como qualquer outro jovem
grupo de teatro interessado em pesquisa de linguagem.
Aproximamo-nos do teatro de Brecht quando percebemos
que não existe linguagem neutra e que as formas
da arte traduzem visões de mundo. Quer dizer,
percebemos que um grupo artístico interessado
em assuntos sociais deve ser também grupo de
trabalho interessado em formas críticas novas
de representar a sociedade. Uma das lições
que o marxismo nos dá é que os pensamentos
dominantes de uma época são os pensamentos
da classe dominante. Podemos estender o raciocínio
e verificar que as formas dominantes de uma época
são as formas da classe dominante. Nos padrões
visuais, rítmicos, naquilo que os olhos e ouvidos
percebem, nos jeitos de nos emocionarmos, existem padrões
que se associaram historicamente a pontos de vista de
classe. Então, a tarefa de um artista marxista
passa a ser, também, desmontar a ideologia dominante
tal qual ela aparece e se esconde nas formas. Às
vezes é mais fácil perceber a ideologia
dominante nos discursos - perceber que esse discurso
é falso na sua promessa de universalidade - do
que perceber isso no campo das formas sensíveis.
Para isso, Brecht é uma ferramenta fundamental:
sua crítica não incide só sobre
os assuntos, mas sobre a própria representação.
É um artista que coisas difíceis de juntar:
interesse social, político e experimentação
formal.
continua....
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Palestra de Sérgio de Carvalho
na Casa Brecht em Berlim.
Entre os dias 05 e 09 de fevereiro de 2007, o diretor
teatral Sérgio de Carvalho participou, como palestrante
convidado, do Seminário Internacional "Brecht
Tage 2007: Die Zukunnft der Nachgeborenen" organizado
pelo Fórum Literário da Casa Brecht de
Berlim. Foi nessa casa que Brecht viveu seus últimos
anos de vida, de 1953 a 1956. E o espaço, atualmente,
congrega parte de seu acervo e promove diversas atividades
culturais ligadas ao pensamento e à prática
artística do autor. Na medida em que o Berliner
Ensemble se tornou um teatro estatal de feições
conservadoras, a Brecht-Haus é hoje o espaço
crítico mais importante de reflexão sobre
a obra de Brecht.
Durante os 5 dias de atividades, quatro mesas de exposições
teóricas foram organizadas, quase todas conduzidas
por filósofos das melhores universidades alemãs.
Entre os trabalhos apresentados no Brecht Tage 2007,
podem ser mencionados os dos seguintes professores:
Jan Robert Bloch (filho de Ernest Bloch, que discutiu
aspectos do pensamento de seu pai que tratam do sentido
da utopia); Norbert Bolz (cientistas social, estudioso
de Adorno de tendência pós-estruturalista,
que apresentou os conceitos críticos fundamentais
na nova sociologia alemã em contraponto à
perspectiva de Brecht); Friedrich Dieckmann (crítico
literário, filósofo e dramaturgista, analisou
diversos poemas de Brecht relativos ao tema do futuro);
Marianne Streisand (crítica literária,
expôs a visão de pedagogia de Brecht com
base em descrições biográficas).
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