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A tarefa do compositor de teatro (assim como a do compositor de cinema) que procura
refletir sobre a forma, a partir do assunto cria exigências que vão além da música, pois sua
condição de especialista tende a colocá-lo à marGem do trabalho assumido por atores
diretores e dramaturgos. Além disso, parece quase natural, tanto no teatro como no cinema,
a música ser tratada apenas como uma etapa no processo de produção. Freqüentemente
inclusive, sendo realizada posteriormente à criação do próprio texto e da concepção cênica.
O resultado musical, nestes termos, alienado do conteúdo é, na melhor das hipóteses,
indeterminado.
Para um grupo como a Companhia do Latão, que procura para seu teatro alternativas
contra o pensamento dominante, instrumental e mercantilizado, é de se esperar que uma prática engessada nestes parâmetros viria a suprimir sensivelmente os resultados de seu projeto. Para que se construa, como procura o grupo, um conteúdo crítico da história e do homem; um conteúdo que dê conta de interpretar as relações sociais e de produção reprimidas pelo conjunto de produtos culturais por meio dos quais a história é entendida, deve-se estar atento a todos os elementos que compõe a experiência no palco, incluindo a música.
Na tentativa de inserir o trabalho musical como um elemento orgânico no processo de
produção, o grupo optou na sua trajetória por integrar o trabalho do compositor à sala de
ensaio. Deste modo o compositor passa a participar do processo colaborativo da criação
das cenas e do texto, ao mesmo tempo em que dramaturgos, diretor e atores participam da
criação musical.
As músicas contidas neste disco foram compostas nesta condição, durante os ensaios
de O Mercado do Gozo (2003), Equívocos Colecionados (2004) e Visões Siamesas (2004)
a partir da necessidade do assunto dado para a preparação de uma cena. Não raramente refeitas mais de uma vez até atenderem às solicitações dadas pelo conteúdo e pela cena.
O registro deste material criou um grande desafio: lidar com canções ora demasiadamente
associadas ao conteúdo da cena, ora com autonomia para uma experiência puramente
musical. Tiradas de seu contexto, as canções aqui registradas foram revisadas e tiveram seus arranjos, quando assim se sentiu necessário, modificados no sentido de contemplar o caráter ambíguo de um disco como este: a experiência musical e o registro de um material composto para teatro e fortemente vinculado ao mesmo. A despeito dessa tarefa, o objetivo do trabalho foi, sobretudo, celebrar a história num momento tão vivo para a Companhia do Latão. Um grupo que procura mostrar através de seu teatro e de sua música que ainda há uma quantidade imensurável de sonhos sem uso e de matéria não vendida no mundo.
Martin Eikmeier
Agosto de 2007 |
Produção e Direção Musical: Martin Eikmeier
Direção artística: Martin Eikmeier e Sérgio de Carvalho
Produção Executiva: João Pissarra
Técnico de gravação: Filipe Magalhães
Técnico de Mixagem e Masterização: Otávio Bertolo
Arte e Diagramação: Pedro Penafiel
Fotos: Lenise Pinheiro
Gravado no estúdio Zabumba. |
A Companhia do Latão e seu núcleo musical agradecem:
Instituto Goethe, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Cooperativa Paulista de Teatro, Funarte, Roberto Schwarz, Iná Camargo Costa, Marina Henrique, Hans Thies Lehmann, José Antonio Pasta Jr., John Gledson, Paulo Heise, Paulo Arantes, Christine Röherig, Uta Atzpodien, Fábio Namatame, Sandra Ximenes, Lincoln Antônio. |
01. Branquinha
(Música: Izabel Lima. Letra: Sérgio de Carvalho.)
02. LixÃo
(Música: Luiz Felipe Gama e Alessandra Fernandez. Letra:Sérgio de Carvalho e Marcio Marciano)
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03. Canto da insatisfaÇÃo
(Música: Martin Eikmeier, Walter Garcia e Luiz Felipe Gama. Letra: Sérgio de Carvalho e Marcio Marciano)
04. EquÍvocos colecionados
(Música: Martin Eikmeier. Texto: Heiner Müller.)
05. O cadÁver do enredo
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano)
06. O imperador
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Heinrich Heine, baseada em seu poema Die Grenadiere, traduzido por Christine Röherg em entrevista de Heiner Müller)
07. O eterno gerÚndio
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Márcio Marciano)
08. OfÉlias
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Márcio Marciano e Martin Eikmeier. Inspirada em Hamlet Machine de Heiner Müller)
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09. Vai atRÁs
(Música: Izabel Lima. Letra: Sérgio de Carvalho)
10. Agitado pelo medo
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Márcio Marciano e Sérgio de Carvalho)
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11. Ratazanas
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano. Inspirada em poesia tradicional Chinesa)
12. Empregado patrÃo
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano. Inspirada em poesia tradicional Chinesa.)
13. NÃo tem alternativa
(Música: Martin Eikmeier e Walter Garcia, a partir de improviso dos atores Emerson Rossini e Heitor Goldflus. Letra: Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano.)
14. As coisas deveriam morrer
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Helena Albergaria)
15. A fronteira
(Música: Martin Eikmeier e Walter Garcia. Letra: Márcio Marciano)
16. Visões siamesas
(Música: Martin Eikmeier. Letra: Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano) |