Atuação crítica: entrevistas da Vintém e outras conversas
(Expressão Popular, 2009, 224 p.)

O livro reúne conversas realizadas entre 1996 e 2006 e publicadas na revista Vintém, além de outras entrevistas realizadas por Sérgio de Carvalho para diversos veículos de comunicação. Tratam de política, história, teatro, cinema e dialogam com o projeto de construção de uma arte dialética, aquela que se funda na crítica às formas dominantes de representação dos processos sociais.

SUMÁRIO

NOTA INTRODUTÓRIA
Sérgio de Carvalho................................................................... 11

I. ECONOMIA POLÍTICA
Francisco de Oliveira................................................................ 17
Jorge Grespan........................................................................... 33

II. CINEMA
Jean-Claude Bernardet.......................................................... 49
Ismail Xavier.............................................................................. 65

III. TEATRO
Iná Camargo Costa................................................................. 89
Gerd Bornheim......................................................................... 101
Ariano Suassuna..................................................................... 113
Matthias Langhoff.................................................................... 129

IV. OUTRAS CONVERSAS
Décio de Almeida Prado......................................................... 143
Gianni Ratto............................................................................... 159
Ariane Mnouchkine................................................................... 171
Jean-Claude Carrière.............................................................. 185
João Pedro Stedile................................................................... 199
Ademar Bogo............................................................................. 207
Martelo......................................................................................... 219


NOTA INTRODUTÓRIA

            As entrevistas aqui reunidas, realizadas entre 1996 e 2006, têm um sentido pedagógico. O objetivo que motivou quase todas foi aprender com o entrevistado. Dessa perspectiva surge sua unidade: elas contêm os principais temas que interessaram a mim e ao grupo de trabalho da Companhia do Latão no período. Em sua variedade de questões – tratam de política, história, teatro, cinema – dialogam com o projeto de construção de uma arte dialética, aquela que se funda na crítica às formas dominantes de representação dos processos sociais e procura uma ação cultural desalienante.
            A maioria das conversas foi editada na revista Vintém. Essa pequena publicação, de periodicidade irregular, que até o momento conta 7 edições, foi concebida como uma frente de trabalho fundamental para um grupo em que teoria e prática não se distinguem. A Vintém nasceu com a tarefa de desenvolver debates surgidos na sala de ensaio. O que de fato ocorreu na medida em que a influência crítica dos pensadores e artistas entrevistados veio a modificar a orientação da prática artística em curso. O caso mais nítido dessa influência aparece na entrevista de Francisco de Oliveira que abre o volume. Sua reflexão sobre os contraditórios processos da racionalidade burguesa no país inspira a inauguração de uma nova fase na dramaturgia da Companhia do Latão, que se dá a partir da montagem de A comédia do trabalho.
            A própria forma de produção das entrevistas da Vintém manifesta o modo de trabalho coletivizado do grupo. Foram sempre realizadas por muita gente (ainda que sempre editadas por mim, o único culpado pelos possíveis “deslocamentos de ênfase” dos entrevistados). Sob a aparência do diálogo ou do monólogo existem muitas vozes. Nasceram do embate entre uma pequena assembléia e um convidado amigo, encontro em que as oposições às vezes se explicitavam tendo em vista a maior inteligibilidade estética e política. Vejo hoje nessas conversas um permanente desejo de converter a teoria num instrumento, numa ferramenta para a arte que procura, através da prática simbólica, interferir em questões extra-estéticas.
            Agreguei às entrevistas da Vintém outras feitas por mim como jornalista. São colaborações publicadas na grande imprensa, nos veículos O Estado de S.Paulo (onde fui cronista), Folha de S.Paulo, Bravo! e Jornal do Brasil. Dei preferência àquelas conversas em que houve um intercâmbio crítico formativo, em que aprendi sobre os possíveis lugares históricos da arte atual. Apesar de terem sido produzidas com o objetivo do meu ganha-pão, geraram debates semelhantes ao da Companhia do Latão no que se refere à questão fundamental: qual a função da arte dentro do aparelho cultural capitalista?
            Registro, para concluir, o agradecimento a algumas pessoas que muito contribuíram para a existência deste volume. A Lia Urbini, organizadora do acervo da Companhia do Latão, co-autora de algumas das conversas e quem, junto com João Pissara, tem sido capaz de transformar a memória do grupo num gerador de futuro artístico mais radical. A Rodrigo Bolzan, Maurício Braz, Gustavo Motta, Juliana Bittencourt e Aline Sodré, colaboradores fraternos do projeto.
            Agradeço especialmente a todos os co-autores das conversas: Helena Albergaria, Márcio Marciano (grande parceiro dos primeiros anos da Vintém), Caetano Gotardo, Cláudia Mesquita, Fernando Kinas, João Carlos Guedes da Fonseca, Lauro Mesquita, Márcio Boaro, Marco Dutra e Martin Eikmeier.

Sérgio de Carvalho

 

 

 

 

 


 



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