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Revista VINTÉM |
Surgida em 1998, a revista Vintém é um projeto editorial da Companhia do Latão, grupo de pesquisa teatral de São Paulo interessado em temas atuais da vida social brasileira. A revista dá continuidade à reflexão cênica do grupo e se apresenta como um lugar de discussão crítica sobre teatro, literatura, política e pensamento de esquerda, um espaço fundamental de divulgação dos estudos sobre teatro dialético que definem a Companhia do Latão.
O acervo da Vintém (da 0 à 5) pode agora ser consultado eletronicamente. Os números 6 e 7 estão a venda na sede da Companhia e principais livrarias de São Paulo.
VINTÉM 7 HOMENAGEIA AUGUSTO BOAL
Lançada em 31 de julho de 2009, a mais recente edição da publicação trata de questões ligadas a teatro, cinema e televisão. Entre seus entrevistados está o ator e diretor Paulo José, que discute sua trajetória de trabalho, e a psicanalista Maria Rita Kehl, falando sobre arte e luta social. Com um dossiê dedicado ao artista Augusto Boal, a revista também reúne artigos de Iná Camargo Costa, Renata Pallottini, entre outros.
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#7 |
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Artigo: Revista "Vintém" discute rumos do
teatro |
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VINTÉM #0 |
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Editorial
Embora nasça ligada a
um projeto teatral, e seu próprio nome indique
uma filiação brechtiana mais que escancarada,
Vintém se propõe a ser uma publicação
independente, voltada tanto para a arte e cultura
brasileiras (seção Brasiliana), como
para os estudos teatrais em geral (seção
Teatrada).
Apesar dessa bipartição, cada número
de Vintém procura - na variável medida
do possível e do indicável- se guiar
por uma diretriz temática central, que orienta
seções como Memória (de textos
inéditos ou pouco conhecidos) e a Entrevista
que abre o periódico.
Até mesmo para superar a mencionada filiação
brechtiana, e se desapegar dela, este número
zero é dedicado à obra do poeta alemão
Bertolt Brecht. De certa forma, é um movimento
semelhante ao que a Companhia do latão pretende
realizar no seu período de ocupação
do Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São
Paulo, ao utilizar o pensamento teatral de Brecht
como ponto de partida para sua própria reflexão.
O desenvolvimento do trabalho da Companhia do latão
- vencedora do edital da Funarte / Ministério
da Cultura para ocupação do teatro -
será registrado no final de cada edição
de Vintém, onde há um relato sobre as
atividades do projeto (Pesquisa em Teatro Dialético),
que incluem conferências, leituras dramáticas,
shows, espetáculos e oficinas.
Como todo número zero, esta edição
de Vintém tem um sentido experimental. Críticas
e sugestões são bem-vindas. A publicação
só existe graças ao patrocínio
da Editora Hucitec e à colaboração
generosa das pessoas que se dispuseram a escrever
e publicar seus artigos nas páginas que se
seguem. Agradecimentos a todos. |
Índice
Entrevista
Gerd Bornheim 2
Brasiliana
O Jovem Poeta e a Carapuça
Heitor Ferraz 9
Cantando a Uma Só Voz
Walter Garcia 11
Documentário Brasileiro:uma Aproximação
Cláudia Mesquita 15
Teatrada
Brecht/ Brasil/ 1997
José Antonio Pasta Jr. 20
Meu Amigo Brecht...
Fernando Peixoto 23
Brecht: Aproximações e Distanciamentos
Márcio Aurélio 26
Aspectos da Representação Brechtiana
Sérgio de Carvalho 28
Memória
O primeiro Ensaio de Brecht em Berlim
Egon Monk 33
Livros
Kil Abreu 36
A Companhia do
Latão
Primeiros Movimentos
Márcio Marciano 38 |
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VINTÉM #1 |
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Editorial.
O primeiro número de Vintém
coincide com o centenário de nascimento de
Brecht. No ano em que o mundo reavalia sua obra, procuramos
registrar a reflexão de alguns artistas e intelectuais
representativos da continuidade do pensamento brechtiano.
O diretor Mathias Langhoff, colaborador do Berliner
Ensemble no inicio dos anos 60, é hoje um dos
encenadores que melhor compreende o potencial critico
do teatro, ao revelar a materialidade da cena a partir
da perspectiva de sua impermanência. Quando
refuta a atual orientação do grupo fundado
por Brecht, parece corresponder as inquientações
despertadas pela passagem do espetáculo A resistivel
ascensão de Arturo Ui pelo Brasil, repercutida
no dossiê desta edição.
A seção Memória presta homenagem
à obra de dois homens de teatro de origem italiana.
Giorgio Strehler, morto no final do ano passado, um
dos grandes encenadores modernos, é apresentado
em texto de Bernard Dort, inédito em português,
reproduzido do dicionário de Michel Corvin.
O outro, Ruggero Jacobbi, diretor e crítico
admirável, é lembrado num artigo de
Fernando Peixoto, ilustrado por um texto em que Jacobbi,
em 1959, antevê as dificuldades da entrada de
Brecht no teatro brasileiro.
Vintém publica ainda, na seção
Documento, aquela que talvez seja a mais importante
reflexão sobre a atualidade de Brecht feita
por ocasião das comemorações
de seu centenário: a conferência do crítico
Roberto Schwarz, realizada após a leitura de
Santa Joana dos Matadouros pela Companhia do Latão,
na qual dimensiona de modo dialético o desafio
de tornar eficaz uma arte crítica da sociedade
contemporânea.
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Índice
Cartas
2
Entrevista
Mathias Langhoff 3
Teledramaturgia
Ilusões Mexicanas
Bosco Brasil 9
Teatrada
Realismo americano e dramaturgia brasileira
Maria Silvia Betti 15
Quem tem medo do realismo?
Depoimento de José Celso Martinez Corrêa
18
Dossiê
Teatro e política em tempos de crise
Fernando César Kinas 22
"Escrever sobre Brecht significa para mim
tirar de um amontoado de lembranças alguma
coisa"
Márcio Aurélio 25
Documento
A atualidade de Brecht
Roberto Schwarz 29
Memória
Ruggero Jacobbi, aqui, hoje
Fernando Peixoto 38
Sobre um texto de Brecht
Ruggero Jacobbi 41
Giorgio Strehler
Bernard Dort 42
Livros
Kil Abreu 45
A Companhia do Latão
Ensaio sobre o Latão: um quadro histórico
Márcio Marciano 49 |
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VINTÉM #2 |
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Editorial
A separação entre o espetáculo
e o texto dramático faz pouco sentido no teatro
contemporâneo. A peça literária,
quando escrita no gabinete, tende a estar descompassada
das exigências da cena atual, e o teatralismo
absoluto, por outro lado, ao ignorar o problema da
escrita cênica, tende a uma relação
superficial com seu tempo histórico.
A dramaturgia, neste quadro, se apresenta de novo
como problema de base do fenômeno teatral: agora
tomada em sua relação direta com o palco.
É nessa direção que Vintém
discute possíveis caminhos para a formação
de um modelo dramatúrgico que sirva ao teatro
brasileiro atual.
A conversa com Ariano Suassuna, um dos grandes dramaturgos
em atividade no país, descreve uma escrita
nascida do confronto entre as matrizes dramáticas
do renascimento e do barroco ibérico, com os
temas da cultura popular brasileira, tal como enunciados
na poesia oral da literatura de cordel. Seu exemplo
de retomada do parâmetro clássico é
bem diverso, por exemplo, da proposta pedagógica
análoga de Luis Alberto de Abreu, que faz uso
de uma original tipologia mítica para a geração
das histórias.
Em sua visão, que tem se revelado um excelente
método de formação de jovens
dramaturgos, o caráter precede a ação,
numa inversão da hierarquia aristotélica,
em que a boa ordenação do mito é
poeticamente superior à configuração
das personagens. O mesmo diálogo com Aristóteles
aparece na reflexão sobre o ofício de
ensinar dramaturgia (e a tarefa de aprender) feita
pela poetisa e autora Renata Pallottini.
Na seção dedicada à escrita para
o cinema e televisão, o depoimento de Rodrigo
Lacerda e o de Jean-Claude Bernardet indicam preocupações
semelhantes, amplificadas pela questão das
expectativas de aceitação mercadológica,
que delimitam o espaço de atuação
do roteirista, bem como a da necessidade de superar
o condicionamento da imaginação a certos
padrões identificatórios.
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Índice
Entrevista
Ariano Suassuna 2
Aprendizado do Roteiro
Uma experiência na oficina de roteiro na Globo
Rodrigo Lacerda 9
Para uma dramaturgia radical
Entrevista com Jean-Claude Bernardet 13
Aprendizado do texto teatral
Ensinar talvez seja isto
Renata Pallottini 20
Eppur si muovel
Luís Alberto de Abreu 26
Dramaturgismo
A escrita cênica de Nélson Rodrigues:
modelo e invenção
Beti Rabetti 32
Memória
García Lorca: o fogo romperá as portas
Kil Abreu 38
A tragédia do instinto
Entrevista a Ricardo Luengo (1935) 41
Livros 44
A Companhia do Latão
Propostas brechtianas para um teatro no centro de
São Paulo
Sérgio de Carvalho 45
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VINTÉM #3 |
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Editorial
Este número dá início
a uma nova fase da revista Vintém: abrigada
agora pela Editora Hedra, com uma reformulação
do projeto gráfico e seu subtítulo alterado
para "teatro e cultura brasileira".
A mudança não implica abandono da vontade
original de discutir perspectivas do teatro dialético.
Acompanhando as transformações da Companhia
do Latão, a orientação dialética
do trabalho ganha maior concretude ao priorizar o
Brasil como assunto fundamental.
Assim, Vintém abre espaço para novas
seções. A cada número, a revista
trará entrevistas ou ensaios ligados à
reflexão política sobre problemas brasileiros.
Nesta edição inaugural, o sociólogo
Francisco de Oliveira nos dá elementos para
compreender o processo de destruição
simbólica do indivíduo que vem sendo
levado adiante pela política econômica
neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso.
Na intenção de estimular o debate sobre
o pensamento teatral no Brasil, a revista publica
uma entrevista com a professora Iná Camargo
Costa, uma das poucas vozes à esquerda em nosso
ensaísmo teatral, e com certeza a mais atuante
delas, como se pode ver também em seu estudo(escrito
em colaboração com José Fernando
de Azevedo) sobre duas historiografias do teatro brasileiro.
O artigo sobre o diretor e ator João das Neves,
feito por Cláudio Mesquita, bem como a homenagem
dos editores ao grande teatrólogo Hermilo Borba
Filho, direcionam Vintém para a reflexão
conseqüente sobre temas que não costumam
fazer parte das referências habituais da imprensa
cultural. Por suas escolhas de assunto, Vintém
se posiciona com independência diante das exigências
de circulação impostas pela economia
de mercado. Por seu aberto posicionamento de esquerda,
Vintém se distancia da média das publicações
academias. Seu maior compromisso é com a história
viva do trabalho teatral no Brasil.
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Índice
Pensamento político
entrevista com Francisco de Oliveira 04
Teatro Brasileiro
entrevista com Iná Camargo Costa 12
Teatro do Mundo
depoimento de Yoshi Oida 19
Modo de produção
teatro documentário de João das Neves
por Cláudia Mesquita 22
Memória
Hermilo Borba Filho 25
Ensaio
Duas histórias do teatro Brasileiro
por Iná Camargo Costa e José Fernando
de Azevedo 29
Livros
lançamento de obras teatrais 38
Companhia do Latão
oficinas dos diretores alemães Peter Palitzsch
e Alexander Stillmark
Manifesto
arte contra a barbárie 46
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VINTÉM #4 |
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Editorial
Quase toda feita de entrevistas e conversas, esta
edição de Vintém marca uma fase
em que a revista passa a ser editada exclusivamente
pela Companhia do Latão, dando corpo a um projeto
que recebe o nome de "Edições do
Latão". De novo reformulada do ponto de
vista gráfico e editorial, a publicação
assume sua vocação política sem
abandonar a intenção inicial de debater,
em perspectiva dialética, caminhos para a produção
artística brasileira contemporânea.
Com este intuito, importantes temas são levantados
nas seções Pensamento Político
e Economia Política, em depoimento que abrem
espaço para a compreensão de alguns
problemas cruciais da realidade social do Brasil hoje.
O cientista social Fernando Haddad chama a atenção
para uma nova oportunidade da esquerda dentro do atual
embate das forças econômicas e políticas,
e estabelece novos princípios para uma necessária
redefinição do conceito de classes sociais.
O depoimento do economista José Luís
Fiori nos permite compreender os antecedentes históricos
da opção conservadora do governo FHC,
esclarecendo por que o país chegou ã
situação atual de miséria física,
moral e política. E a entrevista do crítico
literário José Antônio Pasta Jr.
examina as contraditórias relações
entre arte brasileira e matéria social, através
de uma inovadora tese sobre o processo de "formação
supressiva do sujeito brasileiro, por meio do qual
o aniquilamento da voz do "outro" e o esmagamento
do juízo autônomo se tornam procedimentos
recorrentes. dialogando à distância com
esta entrevista, a seção Memória
apresenta um depoimento histórico de um dos
maiores críticos de teatro e literatura que
este país conheceu, o alemão Anatol
Rosenfeld.
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Índice
Editorial 2
Entrevista
José Antônio Pasta Jr. 4
Pensamento Político
Uma oportunidade para a esquerda
Fernando Haddad 14
Economia Política
O momento totalitário
José Luís Fiori 21
Palhaçada
O palhaço de cada época
Ermíria Silva 26
A formação do palhaço Picolino
Roger Avanzi 30
Memória
Depoimento de Anatol Rosenfeld 33
Livros
O método Brecht, de Fredric Jameson
Maria Tendlau 41
Aprendizado Teatral
A dramaturgia de Sinisterra
Márcio Marciano 45
Companhia do Latáo
Do riso no mundo selvagem
Fernando Peixoto 52
Companhia do Latão vai além da questão
ética
Mariângela Alves de Lima 54
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VINTÉM #5 |
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Índice
Um inédito de Paulo Lins 3
Entrevista com Vinícius Dantas: A crítica
como intervenção 10
Mídia e poder
Raimundo Pereira: o jornalismo como instituição
burguesa 19
Mino Carta: os sabujos da imprensa brasileira 20
Eugênio Bucci: o capitalismo da produção
da imagem 22
Dossiê Heiner Müller
Entrevista com Heiner Müller: Necrofilia é
amor ao futuro 25
Entrevista com Heiner Müller: Para sempre em
Hollywood 37
Conversa com Hans-Thies Lehmann: No coração
das trevas 44
Hans-Thies Lehmann e Uta Atzpodien: E (quem são)
os nossos mortos? 47
Wolfgang Storch: Carta a Sérgio de Carvalho
49
Sérgio de Carvalho: Apontamentos sobre Müller
55
Companhia do Latão
Mariângela Alves de Lima:
Latão cria inquientante jogo de desilusão
56
Hélio Ponciano: A dialética do fetichismo
58
João Carlos da Fonseca: O mercado do gozo 59
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Editorial
Quase dois anos depois, a Vintém volta a ser
editada, como espaço fundamental de divulgação
dos estudos sobre teatro dialético que definem
a Companhia do Latão desde sua origem. Os materiais
aqui reunidos traduzem diversos aspectos de uma prática
artística que se alimenta da reflexão
sobre a história produzida dentro do Projeto
Companhia do Latão 10 anos e também
de outras frentes de trabalho: a pesquisa de formas
cinematográficas e videográficas de
representação épica, o intercâmbio
com outros grupos interessados na obra de Brecht como
modelo crítico (o que ocorreu na montagem de
O Círculo de Giz Caucasiano) e com intelectuais
interessados no marxismo como método de ação
e pensamento. |
Índice
Editorial 2
IMPULSOS CRÍTICOS DO CINEMA MODERNO
Entrevista com Ismail Xavier 4
FORMAS DA CRISE CAPITALISTA
Entrevista com Jorge Grespan 16
O TEATRO FORA DO CENTRO
Por Marília Carbonari 24
Dossiê: Brecht Diretor
Particularidades do Berliner Ensemble, Bertolt Brecht
30
A atitude do diretor, Bertolt Brecht 31
A direção de Brecht, por colaboradores
do Berliner Ensemble 33
Notas de ensaio no Berliner Ensemble 36
Discussão com Brecht sobre O Círculo
de Giz Caucasiano 37
Trabalho de Peter Palitzsch com a Companhia do Latão
41
Companhia do Latão
Visões Siamesas: uma dramaturgia do limite,
por Márcio Marciano 44
Companhia do Latão ganha ao unir Machado e
Brecht, por Mariângela Alves de Lima 47
O projeto Companhia do Latão 10 anos 50 |
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Editorial
Nos dois anos que separam esta da última edição da Vintém, a Companhia do Latão publicou três livros sobre seu trabalho teatral: Companhia do Latão 7 peças (Cosacnaify, 2008), com a melhor produção dramatúrgica dos primeiros 10 anos do grupo; Introdução ao Teatro Dialético (Expressão Popular, 2009), feito de reflexões teóricas sobre a experiência do Latão com o teatro épico-dialético e Atuação crítica (Expressão Popular, 2009), com uma seleção das melhores entrevistas publicadas na Vintém.O mesmo projeto que viabilizou essas publicações permitiu a digitalização de um amplo acervo eletrônico que inclui agora as primeiras edições da Vintém, a contar do zero, disponíveis através do site www.companhiadolatao.com.br.
Concluída essa fase, a Companhia do Latão publica a Vintém número 07 atenta ao projeto de pesquisa Ópera dos Vivos, uma reflexão sobre arte e cultura no Brasil dos anos 60 para cá. Nesta que é a mais coletivizada das edições da Vintém, feita por uma equipe de jovens colaboradoras que se associou ao editor Sérgio de Carvalho, encontramos os diversos assuntos que interessam ao grupo hoje: cinema, televisão, teatro. A ênfase de todos, entretanto, está na dimensão prática e função social. Quais as possibilidades de uma prática artística radical hoje é a questão que se lê da primeira à última página de uma edição que se fez com a alegria da prática militante e a tristeza da perda de dois companheiros de combates teatrais, Augusto Boal e Reinaldo Maia.
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Índice
Entrevistas
Paulo José. Conversa com Helena Albergaria 6
Os sujeitos do capitalismo. Entrevista de Maria Rita Kehl 16
Modos de Trabalho
A prática do documentário, depoimento de Eduardo Coutinho a Diogo Noventa 20
Uma televisão socialista, depoimento de Thierry Deronne a Diogo Noventa 24
Dossiê Augusto Boal
O artista imprescindível, por Gabriela Villen 32
O teatro do pensamento sensível. Palestra de Augusto Boal 34
Nunca termina quando acaba. Entrevista inédita de Augusto Boal 40
Reencontro e despedida, por Renata Pallottini 44
Teatro Jornal primeira edição, por Celso Frateschi 46
Lembranças de Boal, por Iná Camargo 51
Para uma introdução à prática do Teatro do Oprimido, por Sérgio Audi 56
Falando de Disgus, por Helen Sarapeck 59
Notas sobre a prática dialética de Boal, por Sérgio de Carvalho 61
Memória
O trabalho de Piscator e Brecht, por Lia Urbini e Gabriela Rocha Itocazo 66
Reflexões sobre Tambores na Noite, por Brecht, Piscator, Sternberg 68
Companhia do Latão
Companhia do Latão 7 Peças e Introdução ao Teatro Dialético, por Maria Silvia Betti 76
Entre o Céu e a Terra, por Luiz Cruz 82
A cartomante do Latão, por João Guedes da Fonseca 85
Uma oficina sobre a revolução, por Diogo Noventa 90
Fragmentos cênicos da Comuna do Latão, por Gustavo Motta 92 |
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Revista "Vintém"
discute rumos do teatro
Por Antonio Gonçalves Filho, O Estado de São Paulo,11 de fevereiro de 1998
Como montar Brecht numa sociedade que rejeitou o socialismo e adotou como sinônimo de experimentalismo o jogo de moedas nas bolsas de valores? Como conciliar os interesses capitalistas do novo Berliner Ensemble com a tradição do teatro brechtiano? São perguntas difíceis que o primeiro número de Vintém pretende responder com a ajuda do professor e crítico Roberto Schwarz e do diretor alemão Mathias Langhoff, dois grandes nomes reunidos pelos editores da revista teatral que será lançada hoje, às 19 horas, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94, 256-9463).
Idealizada pelo crítico e diretor teatral Sérgio de Carvalho, Vintém surge como uma opção inteligente para o vazio ensaístico sobre os rumos do teatro contemporâneo, um espaço de reflexão sobre os modos de produção e a obra de dramaturgos, diretores e atores.
Ao lado de artigos assinados por encenadores brechtianos sobre o teatro dialético, comemorando o centenário de nascimento do autor, o primeiro número de Vintém traz um sincero depoimento do diretor José Celso Martinez Corrêa sobre o realismo, no qual critica a infantilização do palco brasileiro.
Do teatro "sala de visitas" criticado por José Celso a um dossiê sobre o Berliner Ensemble por dois especialistas em Brecht (os diretores Fernando Kinas e Márcio Aurélio), a revista reserva espaço para dois grandes encenadores mortos, o veneziano Ruggero Jacobbi (1920-1981), que contribuiu para a modernização do teatro brasileiro, e Giorgio Strehler (1921-1997), o criador do Piccolo Teatro di Milano, um dia definido por Brecht como o perfeito tradutor de suas idéias na Itália.
Entre os artigos publicados por Vintém, o do crítico literário Roberto Schwarz sobre a atualidade de Brecht é o mais impressionante. Reprodução integral de uma palestra realizada em julho, após uma leitura da peça Santa Joana dos Matadouros, o artigo tenta sugerir que a técnica de distanciamento, adotada por Schwarz como a síntese do universo de Brecht, "tinha como coordenada uma sociedade tradicional".
Para ele, é impossível encenar Brecht, hoje, sem considerar as profundas mudanças provocadas pela queda do mundo socialista. Não basta ao ator rejeitar a ordem burguesa para inventar uma nova ordem, segundo Schwarz. O gesto de distanciamento, que para a geração do crítico era suficiente, carece de sentido para a nova geração.
Artigo polêmico - Polêmico, Schwarz diz que um grupo brechtiano tradicional só reafirma verdades "que servem para o grupo não se dissolver, mas não têm nada mais a ver com a experiência da sociedade contemporânea".
Colocando mais lenha na fogueira, ele conclui o artigo definindo o epílogo de Santa Joana dos Matadouros como manifestação poética de caráter espiritual, invertida e transformada em discurso político por força de uma perversão de Brecht. Um ato de coragem de um homem de esquerda que ama Brecht.
A revista Vintém é publicada pela Editora Hucitec. Os pedidos podem ser feitos pelo telefone (011) 240-9318 ou pelo fax (011) 530-5938, por intermédio de Jota Rodrigues. O contato editorial da revista é seu diretor Sérgio de Carvalho: telefone (011) 3662-2702. O preço do exemplar, que tem 56 páginas, é R$ 5,00.
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